Operação Ouro Reverso mira núcleo financeiro de esquema ligado a roubos de joias e ouro e cumpre 31 mandados de busca e apreensão
Publicado em 27/10/2026 – 10:52
A Polícia Civil de São Paulo realiza nesta terça-feira (27) a terceira fase da Operação Ouro Reverso, que investiga uma organização criminosa envolvida em roubos, receptação e comercialização ilegal de joias e ouro, além da lavagem de dinheiro proveniente dessas atividades. A nova etapa tem como alvo o núcleo financeiro do grupo e resultou em medidas judiciais para o bloqueio de mais de R$ 374 milhões em bens e ativos dos investigados.
Coordenada pelo Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic), a operação prevê o cumprimento de 31 mandados de busca e apreensão, a interdição de um estabelecimento comercial de joias e o sequestro de um imóvel.
“A Operação Ouro Reverso, assim como outras que estamos realizando com êxito no estado de São Paulo, demonstra a importância desse trabalho conjunto, que reúne inteligência, investigação e análise financeira para atingir o patrimônio das organizações criminosas e enfraquecer sua capacidade de atuação”, destaca o secretário de Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves.
A ofensiva mobiliza 87 profissionais, entre policiais civis e representantes de órgãos públicos, com o objetivo de interromper a movimentação dos recursos ilícitos e atingir o patrimônio da organização criminosa.
As investigações apontam que o grupo mantinha uma estrutura dividida em núcleos, responsáveis por diferentes etapas do esquema criminoso: a obtenção de joias e metais preciosos por meio de crimes patrimoniais, a receptação e transformação desses materiais e, por fim, a movimentação financeira destinada a ocultar a origem dos valores.
Nesta terceira fase, denominada “A Máquina”, os investigadores concentram os esforços na identificação dos operadores financeiros responsáveis pela circulação do dinheiro. Segundo a Polícia Civil, o esquema utilizava empresas, pessoas, conhecidas como “laranjas”, e sucessivas transferências de recursos para dificultar o rastreamento dos valores e permitir sua inserção na economia formal.
A análise de celulares, computadores, documentos contábeis e Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) revelou indícios de alterações societárias, utilização de empresas de fachada e movimentações financeiras entre pessoas físicas e jurídicas. Uma das empresas investigadas teria movimentado mais de R$ 356 milhões.
Investigação começou em 2024
As apurações tiveram início em 2024, após os investigadores identificarem a entrega de uma joia a um conhecido jogador de futebol durante um cruzeiro marítimo. O responsável pelo presente possuía condenações por envolvimento com organização criminosa. A partir desse episódio, a Polícia Civil aprofundou as investigações e identificou uma estrutura voltada à obtenção, transformação e comercialização de metais preciosos de origem criminosa.
A primeira fase da Operação Ouro Reverso foi realizada em maio de 2025 e teve como alvo o núcleo denominado “O Sangue”, formado por suspeitos de envolvimento em roubos violentos de alianças e pela receptação inicial das peças. A ação permitiu reunir informações sobre a atuação do grupo e identificar outros integrantes da estrutura criminosa.
Em agosto deste ano, a segunda fase, denominada “A Fachada”, concentrou as investigações em estabelecimentos comerciais, oficinas e laboratórios utilizados para transformar o ouro e as joias obtidos ilegalmente em novos produtos.
Os alvos estavam concentrados principalmente em uma região do centro da capital conhecida como “Círculo do Fogo”, que reúne fundições, fabricantes e comerciantes de metais preciosos. Na ocasião, foram apreendidos R$ 1,6 milhão em joias e determinados bloqueios de bens e ativos que somaram R$ 35 milhões.