O Brasil registrou 487.415 ataques de negação de serviço distribuído (DDoS) entre janeiro e junho de 2026, alta de 3,56% em relação ao semestre anterior, quando foram contabilizadas 470.677 ocorrências.
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No cenário global, a NETSCOUT contabilizou mais de 9,1 milhões de ataques no mesmo período. O relatório também identificou um avanço expressivo nas investidas de alta capacidade, que ultrapassaram 1 terabit por segundo (Tbps) ou 1 bilhão de pacotes por segundo (Gpps).
Telecomunicações concentram ataques no Brasil
As empresas de telecomunicações sem fio, excluindo serviços via satélite, foram as principais vítimas no país, com 141.400 registros. Em seguida aparecem empresas de infraestrutura de computação e hospedagem de sites, com 50.499 ocorrências, e operadoras de telecomunicações com fio, com 27.967.
Outros segmentos também apareceram entre os dez mais atingidos no país. Confira o ranking completo:
- Telecomunicações sem fio (exceto satélite): 141.400 ataques.
- Infraestrutura de computação e hospedagem de sites: 50.499 ataques.
- Telecomunicações com fio: 27.967 ataques.
- Outras empresas de telecomunicações: 5.656 ataques.
- Bancos comerciais: 4.235 ataques.
- Restaurantes de serviço completo: 3.206 ataques.
- Consultoria em distribuição física e logística: 2.581 ataques.
- Varejistas de brinquedos e artigos de passatempo: 2.289 ataques.
- Comércio atacadista de equipamentos para escritório: 2.116 ataques.
- Transporte rodoviário local de cargas: 1.863 ataques.
A duração média dos ataques no Brasil foi de 59,31 minutos. O levantamento também identificou ocorrências em outros segmentos, como bancos comerciais, restaurantes e empresas de logística.
Ataques de grande porte e novas técnicas
Os ataques DDoS acontecem quando vários dispositivos conectados à internet enviam um grande volume de solicitações ao mesmo serviço, como um site ou aplicativo. A sobrecarga pode dificultar seu funcionamento ou tirá-lo do ar.
Segundo a NETSCOUT, as investidas que ultrapassam 1 Tbps ou 1 Gpps cresceram 1.286% no primeiro semestre de 2026. As duas medidas indicam a intensidade dos ataques: Tbps representa o volume de dados transmitidos por segundo, enquanto Gpps contabiliza a quantidade de pacotes enviados no mesmo intervalo.
Para Hardik Modi, vice-presidente de Engenharia de Soluções DDoS e integrante da equipe de Inteligência de Ameaças ASERT da empresa, esses episódios deixaram de ser excepcionais.
“O aumento de 1.286% nos ataques que ultrapassam 1 Tbps ou 1 Gpps significa que incidentes de alta capacidade já não são anomalias; são rotineiros”, declarou.
O relatório também destaca o uso de proxies residenciais, que permitem direcionar o tráfego de ataques por conexões domésticas. Com isso, as solicitações maliciosas podem parecer vir de usuários comuns da internet, dificultando a identificação de sua origem. Outra prática apontada são as investidas de curta duração, oferecidas por plataformas que alugam serviços de ataques DDoS sob demanda.
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Essas técnicas desafiam os sistemas tradicionais de proteção. Na avaliação de Modi, provedores de internet e organizações precisam adotar mecanismos capazes de identificar e bloquear o tráfego malicioso com mais precisão, sem afetar as conexões legítimas. O executivo também defende o aumento da capacidade de filtragem nas extremidades das redes.
TCP ACK lidera os métodos identificados no Brasil
O relatório identificou 24 combinações de métodos usados nos ataques registrados no país. O TCP ACK foi o mais frequente, com 138.626 ocorrências, seguido pelo DNS Amplification, com 61.575 registros.
Esses nomes identificam diferentes técnicas usadas para enviar solicitações e tráfego em excesso a redes e serviços. Entre os outros métodos identificados pela NETSCOUT estão TCP SYN, com 37.481 registros; DNS, com 20.736; e TCP SYN/ACK Amplification, com 18.044.
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Valdir Antonelli
Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.
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