Lua começa a semana próxima de dois planetas – causando o “eclipse” de um deles

Dando início à “turnê mensal” de novembro pelos planetas do Sistema Solar, nesta segunda-feira (2) a Lua se encontra com Marte, pela manhã, e Júpiter, à noite – passando bem na frente do gigante gasoso do ponto de vista de alguns lugares da Terra, como se fosse um “eclipse”. 

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O fenômeno – que na verdade se chama ocultação lunar – não é visível em todas as partes do globo. No Brasil, por exemplo, os dois astros não chegarão a se sobrepor, mas aparecerão muito próximos um do outro no céu. Esse alinhamento aparente é chamado de conjunção astronômica e ocorre quando dois ou mais corpos celestes compartilham a mesma ascensão reta (coordenada equivalente à longitude terrestre). 

Lua e Marte fotografados bem próximos a partir de Córdoba, na Argentina, em 15 de agosto de 2020. – Crédito: Sergio Scauso/APOD NASA

Tudo começa às 11h24 (pelo horário de Brasília), com a conjunção entre Lua e Marte, que não poderá ser observada devido à claridade do dia. De acordo com o guia de observação InTheSky.org, eles já poderão ser vistos bem próximos um do outro no céu da madrugada, surgindo à 1h09 e atingindo uma altitude de 40° acima do horizonte nordeste, antes de desaparecer de vista ao amanhecer, pouco antes das 5h da manhã.

Onde a ocultação lunar de Júpiter será visível?

Horas mais tarde, às 20h09, o satélite natural da Terra estará em conjunção com Júpiter. No Brasil, os dois astros estarão abaixo da linha do horizonte nesse momento. Já em outras regiões da Terra, além de estarem próximos no céu, eles protagonizarão um fenômeno ainda mais interessante: a ocultação lunar, com a Lua passando à frente de Júpiter e encobrindo temporariamente o planeta.

O evento poderá ser acompanhado durante a madrugada em países insulares como Maldivas, Sri Lanka, Seychelles e Maurício, além da Ilha da Reunião, território francês no oceano Índico. Já em partes do sul e sudeste da Ásia e da Oceania, a ocultação ocorrerá durante o dia, o que dificultará a observação devido à claridade.

Mapa mostra as regiões do planeta de onde será possível observar a ocultação lunar de Júpiter. – Crédito: InTheSky


A Lua estará em magnitude de -11.8, enquanto a de Marte estará em 0.9 e a de Júpiter -2.1, com os três na constelação de Leão. Quanto mais brilhante um objeto parece, menor é sua magnitude (relação inversa). O Sol, por exemplo, que é o corpo mais brilhante do céu, tem magnitude aparente de -27. 

No decorrer deste mês, a Lua passa por Vênus (7), Saturno (20), fechando o mês novamente próxima do Planeta Vermelho e de Júpiter (30). 

Essa série de conjunções que a Lua faz mensalmente ocorre porque ela orbita a Terra aproximadamente no mesmo plano em que os planetas orbitam o Sol, chamado plano da eclíptica.

Calendário das conjunções da Lua com os planetas visíveis em novembro. – Crédito: Imagem gerada por IA

Por que Marte é vermelho? 

O característico tom avermelhado de Marte sempre chamou atenção, remetendo a associações com deuses e a operações bélicas. Na mitologia grega, Ares, o deus da guerra, era frequentemente ligado a essa cor. Curiosamente, a estrela mais brilhante da constelação de Escorpião, Antares, ganhou esse nome por sua tonalidade avermelhada, que remete a Ares, significando “Anti-Ares”.

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Mais tarde, com o domínio romano na Europa, Ares foi renomeado como Marte, nome que também foi dado ao planeta e permanece em uso até hoje.

A tonalidade vermelha marciana é resultado de uma combinação de fatores complexos. Essa interação se dá entre a composição da superfície do planeta, sua atmosfera e fenômenos geológicos. Saiba mais aqui.


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