O que a escola brasileira oferece a alunos negros e brancos

Estudo com dados do Censo Escolar compara infraestrutura, formação dos professores e trajetória dos alunos

 

O Censo Escolar registrou cerca de 46 milhões de matrículas na educação básica brasileira em 2025. Pouco mais da metade (50,3%) é de estudantes negros, que somam 23,1 milhões de crianças e jovens.

 

Um estudo do Cedra (Centro de Estudos e Dados sobre Desigualdades Raciais) classificou as escolas do país pela composição racial das matrículas. Depois, comparou a infraestrutura e a formação dos professores em cada tipo de escola. Também acompanhou a trajetória de estudantes negros e brancos no ensino fundamental e no médio.

 

Pelo critério do estudo, uma escola é predominantemente negra quando ao menos 60% das matrículas são de estudantes negros (pretos e pardos, somados). A predominantemente branca segue a mesma regra para os estudantes brancos. As demais são mistas.

Estudantes negros e brancos por tipo de escola

Em % das matrículas de cada grupo na educação básica, em 2025

ESCOLAS com

maioria NEGRA

ESCOLAS

Mistas

ESCOLAS com

maioria branca

Estudantes negros

65,1% das matrículas

27,5%

7,3%

Estudantes brancos

19,7%

37,8

42,5

Essas escolas não oferecem as mesmas condições. Em todos os itens de infraestrutura que o estudo comparou, as predominantemente negras ficam atrás das predominantemente brancas.

 

A maior diferença está no esgotamento sanitário: 45,6% das matrículas em escolas predominantemente negras estão em unidades sem ligação à rede pública de esgoto, contra 15% nas predominantemente brancas.

Matrículas em escolas sem itens de infraestrutura

Por tipo de escola, em % das matrículas, em 2025

ESCOLAS com

maioria NEGRA

ESCOLAS

Mistas

ESCOLAS com

maioria branca

0%

20%

40%

60%

Sem ligação à rede pública

de esgoto

45,6%

Sem quadra de esportes

43,6%

Sem laboratório de informática

41,6%

Sem abastecimento de água

pela rede pública

17,9%

Sem biblioteca ou sala de leitura

19,3%

Escolas com maioria branca

tem mais infraestrutura em

todos os quesitos analisados

Sem coleta de lixo pela

rede pública

5,9%

0%

20%

40%

60%

A diferença também aparece na composição do corpo docente. O Inep, órgão do Ministério da Educação responsável pelo Censo Escolar, considera adequada a formação do professor com licenciatura na disciplina que leciona ou com bacharelado nela e complementação pedagógica.

 

Nos anos finais do ensino fundamental, quando cada disciplina passa a ter o seu professor, 35,5% dos professores das escolas predominantemente negras têm formação adequada, contra 62,5% nas predominantemente brancas.

Professores com formação adequada à disciplina que lecionam

Por tipo de escola e etapa de ensino,

em %, de 2019 a 2025

ESCOLAS com

maioria NEGRA

ESCOLAS

Mistas

ESCOLAS com

maioria branca

Anos iniciais do fundamental

100% dos professores

79,2%

12,3 pontos percentuais

66,9%

50%

0%

2019

2025

Anos finais do fundamental

100% dos professores

62,5%

50%

27 p.p.

35,5%

0%

2019

2025

Ensino médio

100% dos professores

As diferenças são mais

acentuadas no ensino

fundamental do que no

ensino médio

67,1%

3,2 p.p.

63,9%

50%

0%

2019

2025

Os gráficos abaixo comparam os estudantes. As taxas são calculadas pela cor ou raça declarada de cada aluno, em todas as escolas do país. Na série histórica analisada, os alunos negros tiveram taxas de promoção para o ano seguinte mais baixas.

Taxa de promoção de estudantes negros e brancos

No 3º e no 6º ano do fundamental e no 1º ano do médio,

em %, de 2016 a 2021

estudantes brancos

estudantes negros

3º ano do fundamental

100%

A taxa de promoção mede

o avanço dos alunos para

a série seguinte, levando

em conta a aprovação

e a retenção

96,5%

94,2%

80%

Pandemia

0%

2016

2021

6º ano do fundamental

100%

96,2%

92,6%

80%

Pandemia

0%

2016

2021

1º ano do ensino médio

100%

Em 2020 e 2021, as regras

de aprovação foram

flexibilizadas na pandemia.

As taxas subiram para

todos e a distância

diminuiu

88,8%

82,9%

80%

Pandemia

0%

2016

2021

Ano após ano, as reprovações se acumulam e causam uma distorção entre idade-série dos estudantes. O gráfico abaixo mostra a parcela de alunos com dois anos ou mais de atraso em relação à série esperada para a idade. Ela cresce do fundamental ao médio e é maior entre os meninos negros.

Estudantes com dois anos ou mais de atraso escolar

Por cor ou raça e sexo, em cada etapa de ensino, em %, em 2024

10%

20%

30%

0%

Anos iniciais do

fundamental

Meninas

brancas

9,8%

Meninos

brancos

Meninas

negras

Anos finais do

fundamental

22,7%

7,9%

Meninos

negros

Ensino médio

9,7%

10%

20%

30%

0%

O estudo do Cedra é descritivo e mostra onde estão as desigualdades, mas não mede o que as causa. Os dados não permitem dizer que a infraestrutura ou a formação dos professores explicam a retenção dos alunos. Promoção e atraso são indicadores de trajetória escolar, não de aprendizagem.

Observações: Negros são pretos e pardos. Escola com maioria negra ou branca é aquela em que

ao menos 60% das matrículas são de alunos negros ou brancos, contando as matrículas sem cor

ou raça declarada; as demais são mistas. Formação adequada é o grupo 1 do indicador de

Adequação da Formação Docente, do Inep. Distorção idade-série é a proporção de alunos com

dois anos ou mais de atraso escolar; o recorte por sexo vem de tabulação do Inep para o Cedra.

 

Fonte: Cedra (Centro de Estudos e Dados sobre Desigualdades Raciais), a partir do Censo Escolar

e dos Indicadores Educacionais do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais

Anísio Teixeira)

Leia a análise completa (PDF, 22 páginas)

Raça e desigualdade de oportunidades educacionais no Brasil

O Censo Escolar registrou cerca de 46 milhões de matrículas na educação básica brasileira em 2025. Pouco mais da metade (50,3%) é de estudantes negros, que somam 23,1 milhões de crianças e jovens.

 

Um estudo do Cedra (Centro de Estudos e Dados sobre Desigualdades Raciais) classificou as escolas do país pela composição racial das matrículas. Depois, comparou a infraestrutura e a formação dos professores em cada tipo de escola. Também acompanhou a trajetória de estudantes negros e brancos no ensino fundamental e no médio.

 

Pelo critério do estudo, uma escola é predominantemente negra quando ao menos 60% das matrículas são de estudantes negros (pretos e pardos, somados). A predominantemente branca segue a mesma regra para os estudantes brancos. As demais são mistas.

Estudantes negros e brancos por tipo de escola

Em % das matrículas de cada grupo

na educação básica, em 2025

ESCOLAS com

maioria NEGRA

ESCOLAS

Mistas

ESCOLAS com

maioria branca

Estudantes negros

65,1% das matrículas

27,5%

7,3%

Estudantes brancos

19,7%

37,8

42,5

Essas escolas não oferecem as mesmas condições. Em todos os itens de infraestrutura que o estudo comparou, as predominantemente negras ficam atrás das predominantemente brancas.

A maior diferença está no esgotamento sanitário: 45,6% das matrículas em escolas predominantemente negras estão em unidades sem ligação à rede pública de esgoto, contra 15% nas predominantemente brancas.

Matrículas em escolas

sem itens de infraestrutura

Por tipo de escola, em % das

matrículas, em 2025

ESCOLAS com

maioria NEGRA

ESCOLAS

Mistas

ESCOLAS com

maioria branca

0%

20%

40%

60%

Sem ligação à rede

pública de esgoto

45,6%

Sem quadra

de esportes

43,6%

Sem laboratório

de informática

41,6%

Sem abastecimento

de água pela rede

pública

17,9%

Sem biblioteca

ou sala de leitura

19,3%

Sem coleta de lixo

pela rede pública

5,9%

0%

20%

40%

60%

Escolas com maioria branca tem mais infraestrutura em todos os quesitos analisados

A diferença também aparece na composição do corpo docente. O Inep, órgão do Ministério da Educação responsável pelo Censo Escolar, considera adequada a formação do professor com licenciatura na disciplina que leciona ou com bacharelado nela e complementação pedagógica.

 

Nos anos finais do ensino fundamental, quando cada disciplina passa a ter o seu professor, 35,5% dos professores das escolas predominantemente negras têm formação adequada, contra 62,5% nas predominantemente brancas.

Professores com formação adequada à disciplina que lecionam

Por tipo de escola e etapa de ensino,

em %, de 2019 a 2025

ESCOLAS com

maioria NEGRA

ESCOLAS

Mistas

ESCOLAS com

maioria branca

Anos iniciais do fundamental

100% dos professores

12,3

pontos

percen.

79,2%

66,9%

50%

0%

2019

2025

Anos finais do fundamental

100% dos professores

62,5%

50%

27 p.p.

35,5%

0%

2019

2025

Ensino médio

100% dos professores

67,1%

3,2 p.p.

63,9%

50%

0%

2019

2025

As diferenças são mais acentuadas no ensino fundamental do que no

ensino médio

Os gráficos abaixo comparam os estudantes. As taxas são calculadas pela cor ou raça declarada de cada aluno, em todas as escolas do país. Na série histórica analisada, os alunos negros tiveram taxas de promoção para o ano seguinte mais baixas.

Taxa de promoção de estudantes negros e brancos

No 3º e no 6º ano do fundamental e

no 1º ano do médio, em %, de 2016 a 2021

estudantes brancos

estudantes negros

3º ano do fundamental

100%

96,5%

94,2%

80%

Pandemia

0%

2016

2021

A taxa de promoção mede o avanço

dos alunos para a série seguinte, levando

em conta a aprovação e a retenção

6º ano do fundamental

100%

96,2%

92,6%

80%

Pandemia

0%

2016

2021

1º ano do ensino médio

100%

88,8%

82,9%

80%

Pandemia

0%

2016

2021

Em 2020 e 2021, as regras

de aprovação foram flexibilizadas

na pandemia. As taxas subiram para todos e a distância diminuiu

Ano após ano, as reprovações se acumulam e causam uma distorção entre idade-série dos estudantes. O gráfico abaixo mostra a parcela de alunos com dois anos ou mais de atraso em relação à série esperada para a idade. Ela cresce do fundamental ao médio e é maior entre os meninos negros.

Estudantes com dois anos ou mais de atraso escolar

Por cor ou raça e sexo, em cada

etapa de ensino, em %, em 2024

Meninas

brancas

Meninos

brancos

Meninas

negras

Meninos

negros

10%

20%

30%

0%

Anos iniciais do

fundamental

9,8%

Anos finais do

fundamental

7,9%

22,7%

Ensino médio

9,7%

10%

20%

30%

0%

O estudo do Cedra é descritivo e mostra onde estão as desigualdades, mas não mede o que as causa. Os dados não permitem dizer que a infraestrutura ou a formação dos professores explicam a retenção dos alunos. Promoção e atraso são indicadores de trajetória escolar, não de aprendizagem.

Observações: Negros são pretos e pardos. Escola com

maioria negra ou branca é aquela em que ao menos 60%

das matrículas são de alunos negros ou brancos, contando

as matrículas sem cor ou raça declarada; as demais são

mistas. Formação adequada é o grupo 1 do indicador de

Adequação da Formação Docente, do Inep. Distorção

idade-série é a proporção de alunos com dois anos ou

mais de atraso escolar; o recorte por sexo vem de

tabulação do Inep para o Cedra.

 

Fonte: Cedra (Centro de Estudos e Dados sobre

Desigualdades Raciais), a partir do Censo Escolar

e dos Indicadores Educacionais do Inep (Instituto

Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais

Anísio Teixeira)

Leia a análise completa (PDF, 22 páginas)

Raça e desigualdade de oportunidades

educacionais no Brasil

Este texto faz parte da cobertura especial sobre desigualdades raciais na educação, produzida com o apoio da Imaginable Futures e do Instituto Îandé.

Mundo

Veja também